sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Seja, sou, somos.


Fure seu corpo todo
Faça quantas tatuagens quiser
Pinte o cabelo da cor mais estranha do mundo
Use essas pulseiras estranhas e esses sapatos esquisitos

Mas só lhe peço para fazer isso com o coração
Para ser você em cada gota de sua alma
Ser verdadeiro consigo mesmo
E se amar

Só isso.

-Pedro Alcamand Mota

Random - Manolo, que viagem...!


"This is a present from a small, distant world, a token of our sounds, our science, our images, our music, our thoughts and our feelings. We are attempting to survive our time so we may live into yours."

(Jimmy Carter, ex-lider do mundo livre, talking to a E.T.)

["Este é um presente de um pequeno, distante mundo, um símbolo de nossos sons, nossa ciência, nossas imagens, nossa música, nossos pensamentos e sentimentos. Estamos tentando sobreviver ao nosso tempo, para que possamos viver em vocês."] 




- Victor Moreira

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Amor verdadeiro


''Imagine nós dois, eu e você, daqui a alguns anos, morando juntos. Não precisaríamos ser namorados, nem casados, nem nada disso. Apenas amigos. E nós seriamos felizes, eu e você. Fotos de nós dois estariam espalhadas pela casa. Fotos suas no meu quarto, fotos minhas no seu quarto. Mas nós dormiríamos juntos. Pelo simples fato de eu te querer por perto, e você me querer também. Pelo simples fato do seu quarto estar bagunçado de mais e a minha cama ser perfeita para nós dois. Eu teria medo do escuro, sem você. E eu andaria apenas com roupas íntimas, e você fingiria não se importar. E eu fingiria acreditar. Eu fugiria de você, correndo pela casa, rindo, com o controle da televisão, só pra você não mudar o canal. E você me pegaria, e ficaríamos abraçados até o silêncio nos constranger. Nossos sábados a noite seriam nostálgicos, olharíamos todos tipos de filme, atiraríamos pipocas um no outro e pediríamos uma pizza. Nostálgicos e perfeitos, porque depois dormiríamos abraçados, no sofá da sala, ao som da melodia dos créditos de um filme de romance em que eu choraria do começo ao fim, e você riria de mim e comigo. Iríamos ao supermercado uma vez por mês, comprar as mais diversas porcarias. E não nos faltaria nada. Você não se importaria com as minhas roupas espalhadas pela casa e pelo seu quarto. Eu não me importaria com a sua bagunça diária, nem com a sua toalha de banho atirada pelos cantos. Nos domingos à tarde, ficaríamos na sacada do nosso apartamentinho no 3º andar, tomando coca e cantando músicas velhas. Olharíamos as pessoas lá em baixo, casais apaixonados, e ficaríamos em silêncio, perdidos nos nossos próprios pensamentos. Suas amigas viriam te visitar, e eu choraria em silêncio, no escuro do meu quarto. Até elas irem embora e você ir dormir comigo, e perguntar se chorei. Eu negaria. Você acreditaria. Me acordaria no meio da noite, para contar um sonho que teve. E nós riríamos juntos. Me acordaria com café na cama, ou com uma rosa roubada do jardim da casa vizinha. Eu deixaria um recado sutil de amor na porta da geladeira antes de sair na segunda de manhã para visitar meus pais. Poderíamos até ter um cachorro. Poderíamos juntos, levar ele para passear. E você decidiria pintar a casa, e ela ficaria vazia, apenas com nós dois e nosso cachorro. Deitaríamos no chão, e eu perguntaria em que você estaria pensando. Você mentiria e me perguntava o mesmo. Eu mentiria. Eu iria para a universidade todo dia de manhã, enquanto você ia para seu trabalho de meio turno em uma empresa de sucesso. Você me amaria, em silêncio. Eu também te amaria, em silêncio. Em alguns anos, eu estaria me formando , e você estaria no topo da carreira. E você me levaria pra jantar e me pediria em casamento. Eu aceitaria. E seria uma linda história de amor.''
Retirado do blog Diamonds Aren't Forever 

A Essência


Estavam sentados, cada um de seu jeito, em uma enorme sala. Um estava deitado, olhando para o teto, com uma manta vermelha e um turbante amarelado, descalço. O outro, sentado como um imperador, estava com uma túnica branca e um livro em sua mão, todo preto. O terceiro, sentado com as pernas cruzadas, estava nu, apenas com a almofada que encontrara tampando suas partes.

Ambos eram velhos, sábios e com fortes argumentos. Sabiam o que falar.
O mais velho, levantou-se e disse:
- Nos situamos aqui por apenas uma razão, queremos saber quem é o melhor. Queremos reconhecer que, entre nós, há o mais sábio, o mais fundamental.
Todos se olharam. Começaram a elaborar seus argumentos, cada um com seu estilo próprio, até que o primeiro, o mais jovem, resolveu levantar-se e falar:
- Como já lhe são de conhecimento, me chamo Amor. Sou aquele que cruza os destinos das pessoas, aquele que traz o sorriso para o rosto daqueles que se amam. Não sou apenas o amor dos apaixonados, mais que isso, sou o amor de um pai com seu filho, de um animal com seu dono, sou o gostar exacerbado. Definitivamente, sou o melhor de todos aqui. Sim, sou o mais novo, mas sou o que mais gera alegria, o que mais fica lembrado no coração daqueles que já me usaram ou me usam. Por isso eu me acho melhor, sou aquele que traz alegria à todos. E a alegria é o que faz a pessoa.
O homem nu se levanta e protesta:
- Como você pode dizer que é o melhor entre nós? Dizer que o amor só traz a alegria está muito errado, meu caro. A felicidade de um amor não correspondido, de um amor que acabou, de um amor com espinhos, acaba. O que sobra é o sofrimento.
Muito prazer, eu sou a alma. Sou aquela que todos tem, que ninguém vive sem. Sou aquela que faz com que todos sintam, sofram, vivam. Sou insubstituivel, única. Isso é ser a melhor de todas. É fazer com que os outros não vivam sem você, que precisem de você o tempo inteiro. Definitivamente, eu sou a melhor.
O mais velho fechou seu livro, olhou para todos, acendeu seu cachimbo e iniciou sua fala:
- Como sabes, minha cara alma, que todos tem a você? Como sabes, ainda, que todos prezam você? Não me apresentei ainda: Sou a morte. Sim, sou aquela que tira a vida dos outros, que faz com que elas percam suas almas. Sou a única coisa que as pessoas tem certeza no mundo. Sim, eu sou a melhor. Sou a melhor por fazer com que elas me admirem e me temam.
O silêncio predominou a sala, todos estavam pensando no que dizer agora. Seus argumentos não eram o bastante para destruir um ao outro.
A porta se abriu, uma sombra foi se formando, se transformando em uma linda mulher, nova, com um belo vestido turquesa e uma coroa de flores em sua linda cabeleira ruiva. Ternamente, a bela mulher olhou para os velhos rabugentos e falou:
- Meus caros senhores, não gastem palavras com coisas tolas. Ao menos vocês sabem o que são?
Todos fizeram que sim com a cabeça. O mais jovem ia falar, mas a doce mulher iniciou mais uma vez:
- Vocês sabem que o amor é mais do que apenas gostar? Vocês sabem que a alma é muito mais do que a rasão e a emoção? Vocês sabem que a morte é muito mais do que parar o coração? E, o mais importante, vocês sabem que a união de vocês três forma o que há de mais importante no mundo?
- E o que há de mais importante no mundo? disse rapidamente o jovem, curioso.
- Sou eu, a vida. Sem vocês eu não existiria. Suas combinações menos individualistas formam a perfeição. E que não sou eu, e sim, o homem.